
Transformar um território também significa ampliar as possibilidades de quem vive nele. E a educação é uma das forças mais importantes desse processo.
Desde o início do projeto, acreditamos que o acesso ao conhecimento, à arte, à cultura, à tecnologia e a novas experiências pode abrir caminhos que antes pareciam distantes. Por isso, construímos, ao longo dos anos, uma rede de espaços, parcerias e oportunidades que hoje fazem parte da vida e do dia a dia da comunidade de Santa Terezinha e de outros municípios da Mata Sul de Pernambuco.
A Biblioteca e Centro de Conhecimento, aberta ao público, reúne livros, computadores conectados à internet e diferentes recursos para pesquisa, leitura e descoberta. O FabLab Mata Sul, primeiro laboratório de fabricação digital da região, coloca à disposição da comunidade ferramentas como impressoras 3D, plotter, termoformadora, máquina CNC e cortadora a laser. A Escola de Música oferece formação teórica e prática gratuita, enquanto cursos e oficinas aproximam os jovens de áreas como programação, robótica, inteligência artificial, inglês, fotografia e outras linguagens. São diferentes portas de entrada para o conhecimento, pensadas para que crianças, jovens e adultos da comunidade possam experimentar, aprender e descobrir novos interesses.
Esse conjunto de iniciativas nasce da compreensão de que educação também é acesso. Acesso a livros, instrumentos, tecnologias, professores, artistas, novas ideias e, sobretudo, à possibilidade de imaginar outros caminhos.
Por isso, a Usina também constrói parcerias com escolas e instituições de ensino da região, aproximando seus espaços e conhecimentos da comunidade escolar e contribuindo para ampliar repertórios e possibilidades de aprendizagem.
Ao longo dessa trajetória, assistimos crianças chegarem à Usina pela primeira vez para conhecer uma biblioteca, experimentar um instrumento, descobrir uma tecnologia ou participar de uma oficina. Vimos a curiosidade despertar, o interesse se transformar em conhecimento e novas possibilidades começarem a surgir.
Arte sempre foi o caminho. Educação, o verdadeiro destino.

Aqui a arte também é uma forma de aprender.
O Parque Artístico-Botânico foi pensado para ser muito mais do que um lugar onde obras de arte são apresentadas ao público. Entre esculturas, jardins, caminhos e vestígios da história da antiga usina, o parque se transforma em espaço de descoberta, de conversas e de construção de conhecimento. Aqui, a paisagem também ensina, e cada obra pode ser o ponto de partida para uma pergunta, uma história ou um novo olhar sobre o mundo.
É nesse território que atua o setor de Educação Museal da Usina de Arte, implementado em 2026 em parceria com a Fundação Museu Escola, fortalecendo a relação entre a Usina, as escolas e a comunidade. Seu trabalho reúne visitas mediadas para diferentes públicos, ações formativas para professoras e professores e oficinas de arte e educação destinadas a visitantes e moradores da Vila Santa Terezinha.
Mais do que apresentar as obras, a mediação busca criar encontros. É a partir da conversa, da observação e da experiência que crianças, jovens e adultos são convidados a construir suas próprias relações com a arte e com o lugar onde ela acontece.
O trabalho também se estende a quem ensina. Em diálogo com as escolas e com os professores da região, a Usina desenvolve ações de formação que utilizam o parque e suas obras como ferramentas pedagógicas. A experiência vivida aqui pode então seguir viagem, atravessar as fronteiras da Usina e chegar às salas de aula, multiplicando as possibilidades de aprendizagem.
Ao mesmo tempo, a Usina é um espaço de formação para uma nova geração de educadores e mediadores culturais. Ao aproximar estudantes e profissionais desse campo de atuação, ainda em expansão em Pernambuco e no Brasil, o projeto contribui para fortalecer a educação museal como área de conhecimento, trabalho e transformação.
Assim, a relação entre arte e educação acontece em muitas direções: na obra que provoca uma criança, na pergunta que nasce durante uma visita, no professor que encontra uma nova maneira de ensinar e no jovem que descobre na mediação cultural uma possibilidade de futuro.
Na Usina, o parque é também sala de aula. E aprender com a arte é, antes de tudo, aprender a olhar.
Agendamentos, dúvidas e informações sobre visitas mediadas:

Algumas histórias começaram junto com a Usina de Arte.
São histórias de crianças e jovens que cresceram vendo o lugar onde vivem se transformar e que, ao longo desse processo, também passaram a enxergar novas perspectivas para suas próprias vidas. Viram de perto as mudanças na paisagem e nas relações humanas do território, aprenderam a reconhecer, valorizar e, sobretudo, a ter orgulho de suas origens. Descobriram que o lugar de onde vêm pode ser o ponto de partida para experiências mais amplas.
Na Escola de Música, no FabLab, nas oficinas e nos encontros com artistas e educadores, surgiram descobertas, talentos e desejos. Cada experiência abriu uma nova janela. Algumas despertaram habilidades que ainda não conheciam; outras revelaram interesses, fortaleceram escolhas e ajudaram a considerar oportunidades que antes pareciam distantes.
Ampliar horizontes exige coragem. É preciso reconhecer os próprios desejos, enfrentar as dúvidas e encontrar forças para transformá-los em realidade. Nesse processo, a Usina de Arte tornou-se parte dessas trajetórias, criando oportunidades, cultivando relações de confiança e mostrando, na prática, que há mais de uma forma de construir a própria história.
Cada trajetória revela uma escolha, um esforço e uma conquista. Acompanhamos esses percursos com alegria e orgulho, buscando ampliar o acesso à educação e contribuindo, inclusive por meio do apoio à formação universitária, para que novas experiências se tornem possíveis.
Nosso propósito, porém, nunca foi determinar o destino de ninguém. É criar condições para que cada pessoa reconheça seus talentos e faça suas próprias escolhas, com liberdade, confiança e apoio. É acreditar no potencial de cada jovem e na força transformadora de seus desejos.
Alguns partem em busca de novos aprendizados e experiências. Outros permanecem mais próximos da comunidade. Todos levam consigo os vínculos, as memórias e as experiências vividas nesse lugar. A distância não apaga o pertencimento; revela a força das raízes e tudo o que elas tornaram possível.
A Usina de Arte é parte dessa construção: um ponto de partida, um espaço onde novas perspectivas começam a ganhar forma e uma instituição comprometida com a formação de pessoas mais livres, diversas e preparadas para escolher seus próprios rumos.
Porque ampliar horizontes é ajudar alguém a ganhar o mundo sem perder o lugar que lhe ensinou a acreditar em si. É reconhecer que uma utopia se constrói quando as transformações de um território abrem novas oportunidades para as pessoas que vivem nele.

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