
Durante décadas, a Usina Santa Terezinha foi movida pela cana. Às margens do rio Jacuípe, na divisa entre Pernambuco e Alagoas, tornou-se, nos anos 1950, a maior produtora de açúcar e álcool do Brasil. Ao seu redor, cresceu uma comunidade, uma vila, uma história.
No final dos anos 1990, porém, as máquinas pararam. Como tantas outras usinas da Mata Sul pernambucana, Santa Terezinha deixou de moer. O silêncio ocupou o lugar do movimento, e um território inteiro passou a sentir os efeitos do declínio de uma economia que havia moldado sua paisagem e sua vida.
Mas algumas histórias não terminam quando as máquinas param.
Em 2012, Bruna e Ricardo Pessôa de Queiroz voltaram a frequentar aquele lugar. Encontraram ali memória, afeto e beleza, mas também uma comunidade que havia perdido perspectivas e ainda sonhava em viver novamente um tempo de prosperidade.
Foi na escuta e na troca intensa com as pessoas daquele território, a partir do desejo compartilhado de construir novos caminhos, que nasceu a Usina de Arte.
A partir de 2016, a antiga usina começou a ganhar uma nova vida. Obras de arte passaram a ocupar a paisagem, árvores foram plantadas, lagoas cavadas e espaços de educação foram criados. Sob a mesma paisagem de canaviais, surgiu outro combustível: a arte contemporânea, combinada à educação, à cultura e ao meio ambiente, como força de desenvolvimento, preservação, identidade e futuro.
No interior de Pernambuco, “moer” voltou a ser verbo. Mas, desta vez, para transformar outras matérias: memória em pertencimento, conhecimento em oportunidade, terra em natureza e sonhos em realidade.
A Usina voltou a pulsar.
Para gerar futuros.

A Usina de Arte é um projeto coletivo que une arte contemporânea, educação, cultura e meio ambiente para criar novas oportunidades de desenvolvimento na Mata Sul de Pernambuco.
Seu coração é o Parque Artístico-Botânico, um dos maiores parques de esculturas a céu aberto do Brasil, onde obras de arte contemporânea convivem com um jardim botânico em permanente transformação e com a planta industrial da antiga usina. Essa combinação entre arte, natureza e patrimônio industrial cria uma experiência única, inusitada e potente.
A partir desse conjunto, nascem iniciativas que ampliam o acesso à cultura, promovem a educação, estimulam a criatividade e fortalecem a relação entre as pessoas e o território.
A Usina de Arte é gerida pela Associação Socioambiental e Cultural Jacuípe, organização sem fins lucrativos formada por mais de 40 membros de diferentes segmentos da comunidade local.
Mais do que preservar a memória de um lugar, nosso propósito é construir, coletivamente, novas possibilidades para quem vive nele.

A Usina de Arte nasceu de um encontro entre memória, encantamento e desejo de transformação.
Bruna e Ricardo Pessôa de Queiroz são os fundadores do projeto. Ao voltar a frequentar a antiga usina, Ricardo reencontrou um território que fazia parte de sua história, de suas memórias de infância e das pessoas com quem cresceu. Para Bruna, era um lugar novo, impactante e cheio de beleza. O reencontro com a comunidade, com antigos amigos e com tantas histórias que permaneciam vivas naquele território despertou nos dois a vontade de imaginar novos caminhos para a Usina e para quem vivia ao seu redor.
O que começou como um reencontro com o passado transformou-se, pouco a pouco, em um projeto de vida. A arte, a natureza e a educação tornaram-se caminhos para devolver movimento ao território e criar novas possibilidades para sua comunidade.
Bruna transitou profissionalmente entre a arquitetura e a publicidade, construindo um olhar que une sensibilidade estética, criatividade e gestão. À frente da Usina, dedica-se à construção de um projeto que aproxima arte, natureza, educação e desenvolvimento humano.
Ricardo traz a experiência empresarial e uma longa atuação filantrópica nas áreas da cultura e da saúde, além de uma relação familiar profunda com a história da antiga usina, construída por seu bisavô.
Juntos, há mais de uma década, dedicam tempo, energia e recursos à construção de uma ideia que continua em movimento: transformar um território de memória e afeto em um espaço vivo, onde arte, educação e natureza possam abrir novos caminhos para as pessoas e para a região.

Em 1926, José Pessôa de Queiroz (1881–1971) adquire, às margens do rio Jacuípe, em Água Preta, o pequeno engenho São Luiz. Três anos depois, começa a operar a Usina Santa Terezinha, em torno da qual se desenvolve uma vila com escola, igreja, cinema, mercado, hospital e casas para os trabalhadores. A usina acompanha o que havia de mais moderno na indústria: sua ferrovia própria chega a se estender por mais de cem quilômetros, percorridos por 21 locomotivas. Nos anos 1950, Santa Terezinha alcança o posto de maior produtora de açúcar e álcool do Brasil.
Essa trajetória, no entanto, também é marcada por rupturas. Em 1982, uma intervenção militar assume a gestão da usina e interrompe sua produção. Alguns anos depois, a Justiça do Trabalho determina o usufruto da empresa para a quitação das dívidas trabalhistas.
É nesse contexto que Ricardo Pessôa de Queiroz Filho, bisneto do fundador, volta a se aproximar da Usina. Nos leilões trabalhistas, recompra os engenhos que consegue e, por meio do arrendamento do Parque Industrial, faz a unidade voltar a moer durante quatro anos, realizando as últimas safras de sua história. Quando a renovação do arrendamento é negada, Ricardo se afasta do território.
Em 2012, porém, inicia-se um novo capítulo. Por insistência de Bruna, Ricardo volta a frequentar a casa construída por seu bisavô, onde viveu parte da infância. O reencontro com o território, com antigas amizades e com a comunidade desperta uma nova possibilidade: fazer aquele lugar voltar a prosperar, embora a cana já não fosse o caminho.
Nesse período, o casal conhece o trabalho de Hugo França, que chega à Usina em 2013 para trabalhar com as árvores mortas da propriedade. Hugo retorna nos anos seguintes, e esses encontros começam a transformar a paisagem. Em 2015, José Rufino e Bárbara Maranhão se aproximam do projeto e tornam-se parceiros fundamentais desse início. Com Fábio Delduque, criador do Festival Arte Serrinha, nasce também o Festival Arte na Usina.
Em janeiro de 2016, a Usina de Arte se constitui como associação. No mesmo ano, começam os plantios e a instalação das primeiras obras, frutos de uma residência artística.
Desde então, cada safra acrescenta à terra novas obras, novas árvores e novos caminhos.
Onde nascem os caminhos
Regenerar a paisagem
Semeando novos futuros
Tempo de descobrir