Instalação com concreto,
barro e cerca de 9 mil peças cerâmicas
720 m²
Distribuídos em 30 canteiros, milhares de frutos, raízes e legumes moldados em barro formam uma grande horta que, apesar da aparência fértil, não produz alimento algum. Uma imagem paradoxal da abundância. Cercada e inacessível ao público, a obra evoca simultaneamente a história da monocultura da cana-de-açúcar, a desigualdade na distribuição da terra e a persistência da fome como realidade social e política. O título remete a um antigo campo dedicado à fome em Atenas, descrito pelo geógrafo grego Pausânias. O território mítico deveria permanecer intocado para impedir que a praga se espalhasse pelo mundo. Em Um Campo da Fome, essas questões se articulam a referências da cultura brasileira, como a Estética da Fome, de Glauber Rocha, tornando a escassez tanto tema quanto imagem crítica da formação histórica do país. Ao transformar a horta em campo vedado, a obra expõe a contradição entre produção e privação, abundância e inacessibilidade, alimento e exclusão.
Matheus Rocha Pitta
Tiradentes, Minas Gerais, Brasil, 1980
Vive e trabalha em Berlim, Alemanha
Estabelecido em Berlim, o artista nasceu em Tiradentes (MG) e reúne escultura, instalação, fotografia e vídeo. Seu trabalho examina objetos e estruturas que organizam a vida comum, conferindo dimensão histórica, ética e política a situações aparentemente simples.
